Espetáculo "Tchekhov Viaja!"



A Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA) do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), através do primeiro ano do Curso Técnico de Ator, realizará no período de 04 a 07 de dezembro/14, às 20 horas, no Tetro Universitário Cláudio Barradas (TUCB), o espetáculo Tchekhov Viaja! dirigido pelos professores Denis Bezerra e Karine Jansen.
Quando os diretores pensaram na realização desse trabalho, algumas questões foram fundamentais, tais como: a necessidade de se revisitar a obra do escritor russo, referência para a história do teatro no ocidente; bem como retomar a preocupação de uma geração de intelectuais paraenses, que buscava nos estudos do teatro universal, fundar um projeto de cultura transformadora na região amazônica.
Nos anos 50, o grupo Norte Teatro Escola do Pará (1957-1962), liderado por Maria Sylvia e Benedito Nunes, apresentou três peças de Tchekhov: O Urso, O Pedido de Casamento, O Cisne. Segunda a líder do grupo, são obras curtas que eles mesmos traduziam do francês para a língua portuguesa.

Quando, em 1962, funda-se o Serviço de Teatro da Universidade do Pará, atual ETDUFPA, as obras do autor russo tornam a serem montadas. Em novembro do referido ano, dirigido por Amir Haddad, professor de interpretação na época, apresentou-se a peça Caminho Real. O trabalho com os clássicos da dramaturgia nacional e estrangeira, além de textos de vanguarda para a época, fazia parte das ações desses intelectuais, pois viam na potencialidade artística um dos caminhos para a transformação humana.



Dessa maneira, os diretores de Tchekhov Viaja!, ao proporem este trabalho, buscaram apresentar o dramaturgo russo, por meio da leitura de seus dramas e de outras fontes, aos alunos do curso técnico da ETDUFPA, pois acreditam que, desta forma, a escola cumpre seu papel formativo, apresentado a tradição teatral e dialogando com as formas contemporâneas de leitura e montagem de trabalhos cênicos.
O mote do espetáculo Tchekhov Viaja! surgiu na disciplina Interpretação I, quando os professores trabalharam com a obra contemporânea A Máquina Tchekhov, do escritor romeno Matei Visniec. Nela o autor cria um universo dramático pautado em releituras de algumas obras do autor russo, fazendo dele personagem central em permanente encontro com seus personagens. Visniec cria um ambiente no qual as criatura conversam com seu criador, num diálogo interessante, pautado numa possível realização dos desejos dessas personagens na “obra original”. Matei reinventa, restabelece, reescreve passagens da obra de Tchekhov.
Já na Prática de Montagem, a direção propôs estabelecer o diálogo entre a obra contemporânea de Visniec e as quatro principais obras de Tchekhov: As Três IrmãsJardim das CerejeirasA Gaivota e Tio Vânia. Além deste universo fecundo de criação, para que Tchekhov estivesse em cena, buscaram-se outros códigos que pudessem somar no processo de criação: a fecunda correspondência produzida na época entre Anton Pavlovich Tchekhov, para a categoria intelectual e artística da Rússia, especialmente ao jornalista Suvórin, dono do jornal NOVO TEMPO (1886-1891), que hoje se encontra publicada em língua portuguesa pela editora Edusp (2002).
Ainda buscaram-se outras relações. No âmbito artístico, especialmente no teatral, a obra de Tchekhov foi instrumento fundamental para que o diretor Kontantin Stanislavski desenvolve-se seu método de interpretação no Teatro de Arte de Moscou- TAM, o qual fundou, assim, o movimento Realismo, produzindo para o período novas formas de expressão, que influenciaram não apenas a linguagem do teatro, mas movimentou as novas mídias da época, no caso, o cinema. A linguagem cinematográfica está presente no espetáculo, a partir de uma pesquisa no universo do cinema Russo. Ainda soma-se o uso de músicas de compositores russos importantes na história das artes, tais como Tchaikovski e Rachmaninoff.
O termo Viaja diz respeito ao princípio criativo denominado por Stanislavski como imaginação. Viajar significa imagine! tente “enxergar” adiante, preveja, conceba! Portanto, os jovens atores recitam viaja, como gíria, imagine! Imaginação é um instrumento fundamental tanto para a arte, mas também para a ciência, foco e origem deste trabalho, visto que é oriundo da universidade. Imaginar é ter certeza, ou ter esperança, conseguir visualizar novos horizontes, novas soluções. Imaginar, viajar foi o que esses jovens atores realizaram, imaginaram esses personagens oriundos desta tradição dramática. E você poderá “viajar” junto.
“Não podemos passar sem o teatro. Mas precisamos de novas formas. Temos de as conseguir. Se não arranjarmos formas novas, então o melhor é não termos nada” (Tchekhov. IN: A Gaivota).

Os diretores são professores da ETDUFPA. Denis Bezerra, ministra as disciplinas Interpretação I, Prática de Montagem e História do Teatro no Pará, nos Cursos de Licenciatura e Técnico do Ator. Karine Jansen, atua como professora há mais 17 anos na ETDUFPA, dentre as muitas disciplinas que ministra estão: Interpretação, Performance e Antropologia do Teatro, nos Cursos Técnico de Figurino e Graduação em Teatro.

O espetáculo fica em cartaz de 04 a 07 de dezembro, sempre às 20 horas.
Os ingressos custarão R$ 10,00 (com meia entrada para estudantes).
O Teatro Universitário Cláudio Barradas fica localizado na  Avenida Jerônimo Pimentel, 546, esquina com a Travessa D.  Romualdo de Seixas, no bairro Umarizal, em Belém.
Ficha Técnica:

Roteiro: Denis Bezerra e Karine Jansen

Figurino:
 Coordenação: Ézia Neves.

Figurinista Coordenação:s: Arlete Gonzaga, Débora Chagas, Tininha Lima, Marcelle Engelke, Otávia Feio, Andy Lopez.

Costura: Laurileia Cardoso, Roseane Santos.

Cenografia:  Paulo de Tarso Nunes

Cenógrafos: Ana Abreu, Breno Monteiro e Eduardo Brasil.

Iluminação: Breno Monteiro e Eduardo Brasil.

Assistentes: Adam Santos, Helena Barbosa, Letícia Lobato, Suene Amorim.

Suporte Técnico: Eric Nascimento e Marcilene Gonçalves

Maquiagem: Grazi Ribeiro.

Sonoplastia: Maike Silva

Identidade Visual: Raphael Andrade.

Audiovisual: Ramiro Quaresma

Direção: Karine Jansen e Denis Bezerra

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